COMPROMISSO COM A INCLUSÃO
Botelho recebe projeto que propõe inclusão de adultos neurodivergentes no mercado de trabalho
Durante encontro em clínica especializada de Cuiabá, deputado conheceu proposta que prevê capacitação prática, geração de renda e preparação de jovens autistas para a vida profissional

O deputado estadual Eduardo Botelho (MDB) recebeu nesta quinta-feira (20) um projeto voltado à inclusão produtiva de jovens com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no mercado de trabalho. A proposta, apresentada durante encontro com profissionais da clínica Espaço Vida e Aprendizado, em Cuiabá, busca preparar pessoas neurodivergentes para a vida adulta, estimulando o desenvolvimento de habilidades, a autonomia financeira e a inserção profissional.
Intitulado “O Autista Cresce – Inclusão Produtiva e Futuro”, o projeto tem como público-alvo jovens com TEA a partir dos 14 anos e parte da necessidade de ampliar as oportunidades para essa população além da infância. A proposta prevê capacitação prática, desenvolvimento de habilidades profissionais e sociais, identificação de talentos individuais, estímulo à autonomia e autoestima e preparação para o mercado de trabalho.
Durante a reunião, os profissionais explicaram a Botelho que muitas crianças neurodivergentes contam com acompanhamento especializado durante a infância, mas encontram dificuldades quando chegam à adolescência e à vida adulta, principalmente na qualificação profissional e na conquista de espaço no mercado de trabalho.

O projeto propõe a realização de oficinas práticas, permitindo que os participantes conheçam diferentes atividades e possam identificar aquelas com as quais mais se identificam. Entre as áreas previstas estão horta, cozinha, cerâmica, costura e serviços de limpeza e organização, além de atividades relacionadas à produção, acabamento, embalagem, comercialização e venda dos produtos.
A proposta também prevê que os jovens sejam remunerados de acordo com a produção e a participação nas atividades, incentivando a autonomia financeira e a valorização do trabalho. O objetivo é que, a partir da experiência adquirida, possam ter acesso a oportunidades reais de desenvolvimento, trabalho e independência.

Botelho afirmou que apoia a iniciativa e que vai trabalhar para contribuir para que o projeto avance e possa se tornar realidade.
“Eu apoio essa causa e vou trabalhar nesse projeto para que ele possa se tornar realidade. Nós precisamos ampliar esse olhar para as pessoas com autismo e outras variações cognitivas, principalmente quando chegam à vida adulta. Já temos projetos de lei tramitando na Assembleia que tratam dessa questão e vamos continuar trabalhando para promover inclusão, autonomia e oportunidades”, afirmou Botelho.
O parlamentar destacou ainda que já atua na área por meio de propostas em tramitação na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), entre elas a que institui o Programa Estadual de Estímulo ao Empreendedorismo de Mães Atípicas, com o objetivo de promover inclusão social, autonomia econômica e apoio às mães de crianças e adolescentes com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças crônicas.

A sócia-proprietária da clínica Espaço Vida e Aprendizado, Stephanie Menezes Borges, que também é mãe de uma criança atípica de cinco anos, explicou que a proposta surgiu a partir da percepção de uma lacuna existente no atendimento às pessoas neurodivergentes quando chegam à adolescência e à vida adulta.
“Nós entendemos que hoje o foco maior está nas crianças. Até os 10, 11 anos, elas têm atendimento garantido, têm clínicas e diversas modalidades de atendimento. Porém, essas crianças crescem, viram jovens e adultos, e precisam de um local no mercado de trabalho. O nosso foco é pensar no futuro dessas crianças que hoje são jovens e adultos e que estão sem um espaço no mercado”, explicou.
Segundo Stephanie, a intenção é criar um elo entre as pessoas neurodivergentes e empresas dispostas a promover a inclusão profissional.
“Precisamos de cursos profissionalizantes e de uma empresa que consiga ter esse olhar para trazer essas pessoas para os cursos e fazer essa colocação no mercado. A empresa também precisa entender que cada autista tem um DNA, uma especificidade. Todos são únicos e nenhum tem exatamente as mesmas características. Esse olhar também precisa existir dentro das empresas. Esse elo é o que queremos ser hoje”, afirmou.

A sócia-proprietária Aressa Loebel destacou que o projeto também nasceu de uma experiência pessoal e do desejo de preparar os adolescentes para uma vida adulta com maior independência. Mãe de Maria, de 16 anos, ela defende que a preparação para o mercado de trabalho comece antes da chegada à fase adulta.
“Eu sempre sonhei em poder mudar a vida de muitas famílias dentro do espectro. Hoje tivemos a oportunidade de apresentar ao deputado Eduardo Botelho um projeto que nasce junto com a minha filha Maria. O meu sonho é deixar essas pessoas e esses adolescentes prontos para o mercado de trabalho, independentes. O projeto vai fazer esse elo entre a preparação desses jovens para a fase adulta e o mercado de trabalho”, afirmou Aressa.

O psicólogo e diretor clínico Cilas Rondon Duarte também chamou atenção para o crescimento dos diagnósticos relacionados à neurodivergência e para a importância do acesso à informação.
Segundo ele, parte desse aumento está relacionada à maior capacidade das famílias de identificar características do neurodesenvolvimento e buscar avaliação e acompanhamento especializado.
“Hoje as famílias têm mais propriedade e conhecimento. Elas saíram daquela ignorância e passaram a buscar mais informação. Com as redes sociais, o acesso aos médicos e ao conhecimento, conseguimos identificar situações que antes ficavam escondidas. O que antes era escondido hoje está à luz, e isso é positivo porque permite identificar e buscar atendimento de outras maneiras”, avaliou Cilas Rondon.
Durante o encontro, Botelho também relembrou a trajetória de seu irmão, Luiz Marinho, na defesa dos direitos das pessoas com deficiência. Segundo o deputado, a atuação da família nessa área começou há décadas e inclui iniciativas voltadas à qualificação e à inclusão profissional.
“Estou com meu irmão Luiz Marinho, que tem um grande trabalho prestado aos deficientes. Marinho criou a Associação Mato-grossense dos Deficientes Físicos, começou a construção de oficinas com cursos para inseri-los no mercado de trabalho e tem uma história de luta pelos deficientes. Eu continuo, evidentemente, como deputado, defendendo e destinando emendas para a Associação dos Deficientes, trabalhando e ajudando”, destacou Botelho.
O parlamentar também lembrou do projeto Buscar, de autoria de Luiz Marinho durante o período em que foi vereador por Cuiabá. A iniciativa oferecia transporte gratuito e orientação para facilitar o deslocamento de pessoas com deficiência para o trabalho, escolas, atividades de lazer e atendimentos de saúde.
Para Botelho, a experiência reforça a importância de políticas públicas permanentes voltadas à autonomia e à inclusão das pessoas com deficiência.
